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Mudanças Climáticas

UM GIRO PELAS MUDANÇAS CLIMÁTICAS

Séries da Soluta

UM GIRO PELAS MUDANÇAS CLIMÁTICAS

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Em julho de 2020, a Soluta começou um projeto de série temáticas, com o objetivo de trazer conteúdo crítico e atual, sobre temas importantes em meio ambiente e sustentabilidade. Pra começar, desenvolvemos o tema Mudanças Climáticas, agora apresentado em alguns tópicos relevantes para a compreensão do todo. Esperamos que aproveite a sua leitura!

O clima sempre mudou, mas por que agora isso é um problema?

Nós sabemos que o clima muda. Tente se lembrar do que já viu sobre Roma Antiga, por exemplo. Provavelmente te vem à cabeça imagens de pessoas com roupas leves, como vemos em diversos quadros e esculturas. Agora, continue pensando na Itália. Você também deve se lembrar de quadros nos quais as pessoas usam roupas pesadas e o tempo parece bem frio. Essas mudanças são naturais, lentas e sempre aconteceram.

Entretanto, não é desse tipo de mudança climática que vamos falar e sim de uma muito rápida, intensa e que não é natural. Desde que começamos a usar combustíveis fósseis de forma excessiva, passamos a liberar gases na atmosfera que contribuem para o aumento da temperatura e, consequentemente, um desbalanço do sistema climático. Essa interferência humana no planeta é um dos maiores desafios atuais devido sua velocidade e intensidade. Por ser rápida, ela não permite que nos adaptemos. Por ser intensa, ela aumenta nossa vulnerabilidade. Na prática, isso significa que colocamos em risco a sociedade atual em que vivemos. Se um local que normalmente é frio passa a ser quente de forma rápida, o que acontece com as pessoas? Com os cultivos naquela região? Os animais nativos? 

97% dos cientistas concorda que a mudança climática é causada pelos seres humanos​

Já há consenso entre os cientistas que estudam o clima que as mudanças climáticas tem o dedo da nossa sociedade. Ou seja, elas estão diretamente relacionadas às chamadas atividades antrópicas. O IPCC, em seu quinto relatório (2013), afirmou: “ “É extremamente provável [95% de certeza] que a influência humana tenha sido a causa dominante do aquecimento observado desde meados do século XX”.

Os números falam por si: desde que o início da Revolução Industrial, a concentração de CO2 atmosférico (dióxido de carbono – principal gás de efeito estufa) aumento de 280 para 410 parte por milhão. Ainda, durante as últimas cinco décadas, o aumento tem sido exponencial: 1,5 ppm ao ano na década de 90 e, respectivamente, 2 e 2.4 ppm ao ano nas entre 2000-2010 e 2010-2018.

Ainda assim, há quem acredite que a mudança climática faz parte da natureza. A este grupo, atribui-se o nome de “Céticos do Clima”, que costumam utilizar alguns argumentos como “o clima já mudou várias vezes”, “já houve anos mais quentes”, “O CO2 é bom pra vida na terra”.

A ciência do clima tem um nível considerável de imprecisão. No entanto, existe uma união jamais vista para tratar de um assunto de impacto global e necessidade urgente de ação. Pensando em responsabilidade socioambiental e, no Princípio da Precaução – regente de qualquer governo, entidade, empresa ou indivíduo associado aos temas de meio ambiente e sustentabilidade, é melhor acompanhar o consenso da ciência, não é mesmo?

Impactos das mudanças climáticas. Fonte: Planeta Sustentável.

E quem são os principais "donos" dos impactos?

O IPCC – Painel Intergovernamentall sobre Mudança do Clima divulga os resultados de emissões no mundo. O setor energético é, em escala global, o principal contribuinte para as mudanças climáticas, pela forma de geração da energia e por sua demanda ser sempre crescente (resultado do aumento da população, eletrificação e avanço industrial). A maior parte da energia do mundo é gerada através da queima de combustíveis fósseis (petróleo, gás natural e carvão mineral). Esses combustíveis são resultado de milhares de anos de acumulação de matéria orgânica no solo, retendo um importante composto químico, o carbono. Para serem utilizados é necessário que passem por um processo de queima e é isso que vem liberando, ano após ano, gás carbônico, um dos principais responsáveis pelas mudanças climáticas. Outro importante contribuinte é a agropecuária, responsável por dois processos distintos. O primeiro é a emissão natural de metano pelos animais, então, quanto maior a quantidade de animais, maiores são as emissões. Segundo porque para alocar esses rebanhos, para alimentar tanto os animais como os seres humanos, precisamos de espaço e para isso transformamos áreas, como florestas, em pastos e regiões de cultivo. Essa mudança no uso do solo está diretamente relacionada com desmatamento e queimadas. O desmatamento faz com que haja uma diminuição de importantes absorvedores de carbono, as árvores. E as queimadas, além disso, liberam durante o processo gás carbônico. 

Fonte: IPCC, 2014.

Não existe Planeta B: é hora de mitigar e adaptar

Diante das mudanças climáticas podemos ter dois pensamento. O primeiro é: como evitamos? A forma de evitar as mudanças climáticas é o que chamamos de mitigação. Assim, nós trabalhamos ativamente na redução das emissões de gases que contribuem para esse fenômeno. Isso pode ocorrer através da substituição de fontes de energia, ou seja, diminuir ou zerar o uso de combustíveis fósseis, trocando para fontes como eólica e solar. Outro processo de mitigação é o combate às queimadas e desmatamento. 

A segunda pergunta é: o que podemos fazer se elas já estão acontecendo? Aqui entra outro processo, o de adaptação. Nos adaptar significa criar condições para lidarmos com os impactos das mudanças climáticas. Em termos práticos, aplicamos medidas como aumentar a resiliência de cidades aos crescentes fenômenos climáticos extremos, como enchentes e secas.

O Acordo de Paris, que é o tratado firmado em 2015, com o objetivo de conter o aumento médio da temperatura da atmosfera terrestre, para que fique abaixo de 2ºC ou, preferencialmente, 1,5ºC, pois é o limite de segurança apontado pela ciência, para que efeitos irreversíveis deixem de ocorrer. A janela para que isto ocorra é o ano de 2030. No acordo, medidas de adaptação e mitigação são solicitadas a cada um dos 196 países signatários e pontuadas através de suas Contribuições Nacionalmente Designadas (ou NDCs).

Algumas medidas podem ser mencionadas, como: investimentos em novas tecnologias e infraestrutura, construção de capacidade de resiliência em áreas vulneráveis, transição energética para fontes alternativas, alterações nos hábitos de consumo, apoio à economia circular, dentre outros.

Como sociedade, temos o direito e a obrigação de conhecer e cobrar ação de nossos governantes.

Pandemia e mudança do clima: tem alguma coisa a ver?

Falar de pandemia e mudanças climáticas é falar de dois tópicos. O primeiro é a atual pandemia de Sar-Cov-2. O segundo é o impacto das mudanças climáticas em pandemias futuras. 

1 – A mídia noticiou muito sobre como a poluição diminuiu durante as medidas de restrição de mobilidade. Algumas pessoas chegaram a pensar: será que conseguimos diminuir um pouco as mudanças climáticas por termos diminuído as emissões? E a resposta é, infelizmente, não. A diminuição das emissões que vimos durante esse período precisam ser mantidas daqui pra frente para que vejamos um impacto real no combates às mudanças climáticas. 

2 – É esperado que as próximas pandemias estejam relacionadas às mudanças climáticas. Isso pode acontecer de diversas formas. Uma delas é através da continuidade do desmatamento. Dentro de florestas há milhares de vírus e bactérias que vivem em equilíbrio, entretanto, os processos de destruição expõem os seres humanos a esses vírus tanto por nós ocuparmos os espaços deles quanto por uma intensificação da migração de espécies para outras regiões. Outro problema que pode dar origem a uma próxima pandemia é o derretimento das geleiras. Elas são grandes repositórios de vírus e bactérias que nunca tivemos contato e que não temos ideia de como podem interagir com os seres humanos. 

Com isso, é possível perceber que Mudanças Climáticas são muitos mais complexas do que parecem e que, eventualmente, podem ocasionar alterações em muitos âmbitos da sociedade, justificando todo o cuidado, atenção e ação na temática.

Confira no Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas.

Refugiados do clima: um novo tipo de vulnerabilidade

Falamos em impactos causados pelas mudanças climáticas, certo? Pois então. Porque as mudanças climáticas podem ocasionar tais impactos, elas podem tornar certas localidades mais vulneráveis às suas consequências. O IPCC determina que a vulnerabilidade se dá pelo nível de reação de um determinado sistema para uma mudança específica, que varia em função de alguns fatores, parte relacionada ao impacto em si – dimensão/proporção da mudança – e parte relacionada à capacidade de resiliência do sistema afetado.

Assim, o pior dos casos, ou seja – mais vulnerável – consiste em locais mais susceptíveis ao impacto, tanto fisicamente (condição geográfica), quanto politicamente (condição de adaptação). 

Em 2020, vivenciamos o caso de Ioane Teitiota, natural de uma ilhota ao norte de Tawara, (República de Kiribati, Oceano Pacífico). Ioane vivia com sua família em Tawara, desde 2002, onde viviam da pesca e agricultura de subsistência. A ilha foi gradativamente atingida pelos efeitos das mudanças do clima, sendo afetada pelo aumento do nível do mar, o que resultou em avanços da água salgada sobre a terra, alterando as condições do solo e reduzindo a oferta de água potável. Isso tudo trouxe aumento das taxas de desemprego, disputas por terra e consequente aumento da violência.

Em uma situação insustentável, Ioane e sua família foram para a Nova Zelândia, em 2013, pedindo ao governo o abrigo como refugiados. Contudo, mais recentemente o governo neozelandês não acatou o pedido, solicitando a deportação para Kiribati. Em 2015, Ioane escreveu à ONU, denunciando a Nova Zelândia por tê-lo deportado, alegando que o país havia violado o seu direito à vida.

Enfim, em janeiro deste ano, o Comitê de Direitos Humanos da ONU acatou a sua solicitação e determinou que os países não podem deportar pessoas que pedem refúgio por sentir que sua vida está imediatamente ameaçada por eventos relacionados à crise do clima.

Ioane foi o primeiro caso internacional a conseguir seu direito como refugiado do clima. Mas, muitas outras pessoas são anualmente afetadas por questões ambientais. A ONU estima que este número pode ultrapassar 200 milhões de pessoas até 2050.

E por falar em passar a boiada… Cerca de 70% das emissões no Brasil está relacionado à agroindústria e ao desmatamento.

Como já dissemos, o maior contribuinte das mudanças climáticas globalmente é o setor energético. Entretanto, no Brasil a situação é diferente, já que quem mais contribui é a agropecuária. O principal motivo é o fato do rebanho de gado ser maior do que a população brasileira. Isso implica, diretamente, em espaço para pasto e para cultivo de alimento para esses animais. Ambos processos mudam o uso do solo. Isso pode ocorrer tanto pelo desmatamento de florestas quanto pelo desmatamento associado às queimadas. Além disso, o gigantesco rebanho, principalmente de bovinos, colabora diretamente emitindo gás metano. 

Nos últimos meses temos visto que esse processo se acelerou. A boiada tem avançado ainda em nossa rica floresta Amazônica, destruindo uma biodiversidade inestimável e fazendo com que o Brasil ande na contramão da redução de emissões durante a pandemia. No primeiro trimestre de 2020 a Amazônia apresentou nível recorde de desmatamento, totalizando uma área de 796 km² entre janeiro a março. Esse fato foi não usual, tendo em vista que este período costuma ser o que apresenta os níveis mais baixos, devido às chuvas fortes que marcam o inverno amazônico, dificultando a propagação de incêndios e a própria operação de desmate.

O valor apurado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais – Inpe equivale a cerca de 80 mil campos de futebol e representam um aumento de 51% em relação aos 3 primeiros meses de 2019.

Vale lembrar que além de ocasionar emissões, a perda de cobertura vegetal também impacta em uma diversidade de serviços ecossistêmicos, tais como a regularização climática, hídrica, manutenção da qualidade do solo e águas subterrâneas, dentre outros diversos benefícios que se detém da existência da floresta em pé.

Fonte: SEEG, 2019.

Não é só no futebol que o Brasil pode brilhar. Temos muito a crescer com a transição energética e a economia de baixo carbono.

O Brasil sempre teve tudo pra ter papel de protagonista na transição para um mundo mais consciente no uso de seus recursos naturais. Em 1992, sediou um dos principais encontros na linha do tempo do desenvolvimento sustentável, a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento. Também conhecida com ECO-92, a conferência sediada no Rio de Janeiro gerou importantes resultados, dentre eles:

  • A Agenda 21, uma espécie de acordo estabelecido entre 179 países, com o objetivo de elaborar estratégias em prol do desenvolvimento sustentável;
  • O fortalecimento da Convenção Quadro Sobre Mudanças Climáticas, que viria, alguns anos depois, a consolidar o primeiro acordo internacional sobre o clima, o Protocolo de Quioto.

O Brasil também sempre foi muito representativo nos mercados de carbono, estando entre os três principais fornecedores de redução de emissão de gases de efeito estufa ao longo dos anos.

No quesito energia, o Brasil apresenta bons resultados. 47% das nossas fontes energéticas são renováveis e, no setor elétrico, este número chega aos 80%. Nos últimos 10 anos, o país também esteve entre os principais investidores de energia eólica no mundo, além de ver o ganho de espaço de outras fontes, como a solar, tanto na geração distribuída, quanto centralizada. 

Nos biocombustíveis, o Brasil sempre teve forte representação com o etanol e biocombustíveis, que fazem parte da mistura obrigatória dos combustíveis convencionais (gasolina e óleo diesel).

Muitos desses pontos são ameaçados por decisões estratégicas, como o extremo investimento em fontes fósseis, como reservas de óleo e gás, ou os avanços no desmatamento. Mas, o Brasil já mostrou que pode assumir uma liderança ambiental no planeta. Basta força política e organização da sociedade, para lutar pela retomada deste protagonismo em um novo contexto econômico e social.

Como já disse Greta: "Nunca somos pequenos demais para fazer a diferença”

Nos últimos tempos, tem sido difícil não escorregar para os pensamentos apocalípticos. Estamos vivenciando o cenário de um mundo derretido, permeado de crises sociais, econômicas, políticas, além de lidar com uma pandemia extremamente preocupante.

Além disso, a mensagem é clara: não temos muito tempo. Este ano, entramos na mais importante “janela” de ação climática. O que fizermos daqui até 2030, segundo os principais cientistas do mundo, poderá definir o futuro do planeta. 

Movimentação de jovens pelo clima. Fonte: DW.

No entanto, não só de notícias ruins vive o mundo. Contamos uma geração consciente de seu papel em uma nova estratégia para a humanidade. Greta Thunberg, a jovem sueca de 17 anos, representa a motivação de muitos outros “jovens pelo clima”. 

O movimento Fridays for Future nasceu em 2015 e vem ganhando espaço, além de oferecer uma plataforma para dar voz às demandas referentes à questão climática, através de centenas de protestos organizados. Outros movimentos, como o Sunrise Movement, proporcionam ações no compromisso com o clima, além de promover a geração de empregos entre jovens. A UNICEF também conta com um plano de apoio à esta juventude, através de seus programas, denominado Youth Action

Embora engajados, os jovens não podem ser os únicos preocupados com o futuro. Muitos de nós ainda estarão por aqui por bastante tempo e, mesmo que não estivermos, temos a obrigação de pensar nas gerações futuras, algo que volta algumas décadas no próprio conceito da sustentabilidade. A atriz Jane Fonda é uma das pessoas que tomou consciência disso – persistente “protestante pelo clima e pelo planeta” mesmo após os seus 80 anos de idade.

Mudanças Climáticas foi o primeiro tema escolhido para a nova proposta de séries da Soluta.

A série foi uma colaboração entre:

  • Ana Luiza: meteorologista pela USP, mestre e doutoranda em planejamento de sistemas energéticos pela UNICAMP.
  • Elisa Guida: sócia diretora da Soluta, engenheira ambiental, especialista em mudanças climáticas e mestre em planejamento de sistemas energéticos pela UNICAMP.

Vale lembrar! A Soluta tem expertise em temas relacionados à mudanças climáticas, tais como: 

  • Gestão de emissões, incluindo inventários de emissões, planos de ação e monitoramento e estratégias específicas;
  • Cenários de riscos e oportunidades em mudanças climáticas;
  • Certificações, como projetos de créditos de carbono e certificações.

Entre em contato para saber mais sobre o nosso trabalho!

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